A nossa história
A memória das gentes e dos tempos que moldaram Moselos, um legado de raízes profundas e tradições vivas.
Origens medievais (sécs. XI–XII)
A referência mais antiga conhecida liga Mozelos à reorganização do território no tempo de D. Teresa, governante do Condado Portucalense após 1112.
As Inquirições de D. Afonso III (1258) citam um documento segundo o qual D. Teresa doou a igreja de S. Paio de Mozelos a Paio Guterres, com a condição de, por morte deste, a deixar aos mosteiros de São Salvador de Ganfei (no Minho) e Santa Maria de Oia (na Galiza). Este arranjo aparece repetidamente na historiografia e em instrumentos de arquivo.
Há ainda menção de que, em 1145, já como monge de Oia, Paio Guterres confirma bens na região, incluindo parte de uma herdade em Mozelos — reforçando a transferência do património para aquelas casas monásticas.
Formação paroquial e enquadramento eclesiástico
O orago São Paio (Pelágio) revela uma implantação paroquial antiga, típica do Entre-Minho-e-Lima. Ao longo da Idade Média e Moderna, a paróquia integrou a jurisdição eclesiástica de Braga; desde 1977 passou à Diocese de Viana do Castelo (enquadramento atual).
O trajeto institucional é resumido em fichas arquivísticas da Paróquia de Mozelos (São Paio).
Antigo regime e época moderna
Depois da doação de D. Teresa, Ganfei e Oia mantiveram interesses na área de Mozelos (casais, foros e padroados), o que é visível em tumbos e estudos sobre o património destes mosteiros.
Estes vínculos explicam parte da organização agrária local e do padroado da igreja ao longo dos séculos.
Património religioso local
- Santuário/Capela de Nossa Senhora da Pena (séc. XVIII) — ergue-se no topo do Monte da Pena, dominando o vale do Coura. É um pequeno templo granítico, com forte devoção popular e romaria, hoje acompanhado por miradouro e parque de merendas. A ficha do município e do SIPA (Monumentos) identificam-no como equipamento setecentista na freguesia de Mozelos.
- Capela de Santa Bárbara (1732) — situada na Quinta de Pantanhas, a documentação do Arquivo Distrital de Braga regista a edição das Constituições da Confraria nesse ano; em tempos recentes tem havido esforços de preservação da fachada e brasão.
Século XX: o Sanatório Presidente Carmona
No contexto da luta contra a tuberculose, o Estado escolheu Mozelos para instalar um sanatório destinado a ferroviários (um de apenas três no país). O Sanatório Presidente Carmona foi inaugurado em 1934, junto à Senhora da Pena. Dispunha de sala de operações, gabinete de raios-X, dormitórios para cerca de 40 doentes, galerias de cura, lavandarias e apoios agrícolas — um conjunto moderno para a época.
Encerraria em 2002; desde então o edifício ficou devoluto e tem conhecido tentativas falhadas de reconversão e processos de venda.
Trajetos administrativos e vida local (sécs. XIX–XXI)
Administrativamente, Mozelos acompanha a história do concelho de Paredes de Coura e do distrito de Viana do Castelo.
O Largo Visconde de Mozelos (na vila de Paredes de Coura) assinala a projeção local do topónimo e da elite regional, embora o título nobiliárquico remeta à sede concelhia e não apenas à freguesia.
Linha do tempo resumida
1112–1128 — Doação da igreja por D. Teresa a Paio Guterres.
1145 — Confirmação de bens de Mozelos pelo Mosteiro de Oia.
1258 — Referência em Inquirições de D. Afonso III.
1732 — Criação da Confraria de Santa Bárbara.
Séc. XVIII — Construção da Capela e Santuário da Senhora da Pena.
1934 — Inauguração do Sanatório Presidente Carmona.
2002 — Encerramento do sanatório.
2021 — 343 habitantes.